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Retinopatia diabética: consulta oftalmológica deve ser quando o paciente ainda enxerga bem

No Brasil, há cerca de 17 milhões de pacientes diabéticos e 73% deles estão fora do controle glicêmico, com fatores de risco adicionais: 85% têm sobrepeso; 71% apresentam hipertensão arterial; 65%, níveis elevados de colesterol. O médico Arnaldo Bordon, chefe do setor de retina e vítreo do Hospital Oftalmológico de Sorocaba e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo, resume: “é um tsunami que temos pela frente”. Ele foi um dos palestrantes do 4º. Workshop de Diabetes promovido pela ADJ (Associação de Diabetes Juvenil) Brasil, entidade que trabalha para aumentar o nível de informação e consciência sobre a doença.

O encontro teve como objetivo discutir a retinopatia diabética, que ocorre quando os vasos sanguíneos da retina são danificados. Os sintomas incluem embaçamento visual, manchas centrais fixas, dificuldade de leitura e perda repentina de visão. Sua progressão pode ser diminuída pelo controle da hipertensão arterial, glicemia e dislipidemia, mas menos de 20% dos diabéticos conseguem fazê-lo – e o resultado é que um em cada três portadores de diabetes apresenta a complicação. O tratamento se dá com medicamentos, fotocoagulação a laser e cirurgia, nos casos mais avançados.

“O diabetes pode provocar catarata, que é corrigida por cirurgia; visão dupla, que o controle glicêmico detém; e a retinopatia que, dependendo do grau de lesão, pode levar à cegueira. É a complicação mais temida e tem um impacto psicológico muito grande”, afirmou o doutor Bordon, acrescentando: “o melhor momento para a consulta oftalmológica é quando o paciente ainda está enxergando bem, para o acompanhamento ser eficaz. O mapeamento da retina deveria estar na base do sistema de saúde, para evitar gargalos e filas”.

Estudos internacionais indicam que o risco de cegueira pode ser reduzido para menos de 5% se a retinopatia for diagnosticada a tempo. Infelizmente, esse não foi o caso de Andreia Mota, que deu seu depoimento no evento. Moradora de Foz do Iguaçu, ela teve diabetes gestacional e agora está completamente cega. “Se depender do SUS, ficamos cegos mesmo”, lamentou Edvaldo Apolinário, paciente diabético que já perdeu a visão do olho esquerdo e enxerga apenas 30% com o direito. A ADJ tenta agilizar a implantação de um protocolo de diretrizes terapêuticas para a retinopatia diabética, que está pronto há dois anos e ainda não foi publicado pelo Ministério da Saúde. O documento também contempla a incorporação de dois medicamentos pelo SUS: ranibizumabe e aflibercepte. Os gastos diretos com saúde relacionados ao diabetes, de acordo com dados de 2019, chegaram a 52.3 bilhões de dólares no Brasil.

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